Bate-papo sobre Spring Boot – Entrevista com Eddú Meléndez

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O Spring Boot veio pra ficar, a cada nova release, novas funcionalidades que o deixam muito atraentes para nós programadores e empresas adotarem.

Nesse bate-papo, Eddú Meléndez, um contribuidor do Spring Boot, fala sobre o que esperar das próximas versões, sobre a utilização do Flyway e Liquibase para geração das tabelas no banco de dados, fala sobre algo muito interessante, que é o deploy do seu projeto usando apenas um Jar, mesmo se ele for uma aplicação web!

Confira essas e outras dicas interessantes nesse vídeo.

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Transcrição

Normandes: Oi, estou aqui no SpringOne Platform em Las Vegas. Falo com Eddu, ele é um colaborador do Spring Boot, e acabou de falar sobre ele numa sessão aqui, e eu o convidei para conversar um pouquinho com a gente, falar sobre o Spring Boot. É isso, vamos falar com ele.

Então, Eddú, muito obrigado pelo seu tempo de estar aqui com gente. Me diz, como você está? Como foi sua apresentação? Gostou? Diga “oi” para o Brasil.

Eddú Meléndez: Oi, Brasil! Agradeço por terem me convidado para essa entrevista. Olha, eu fiquei muito nervoso na minha apresentação, talvez vocês tenham notado, mas acho que o mais importante sobre o Spring Boot foi bem apresentado. E agora todo mundo pode – todo mundo sabe que tipo de coisas pode fazer, porque o Spring Boot fornece um monte de coisas úteis.

Normandes: É, verdade. Você criou um aplicativo do zero, né? Na sessão dele, ele criou um aplicativo simples, claro, mas demonstrando como o Spring Boot é fácil; como o Spring Boot facilita nossas vidas.

Então, o que você faz? Pode contar um pouquinho do que você faz para o Spring Boot?

Eddú: Ok, eu tenho contribuído para o Spring Boot desde o ano passado. Desde então, tenho, mais ou menos, 46 pull requests. Há funcionalidades interessantes neles, como novos endpoints para o Liquibase e o Flyway, e também pude trabalhar com um commiter no suporte a cache da versão anterior. E este é o meu trabalho. Tentar deixar o Spring Boot um pouquinho melhor com algum conhecimento que tenho.

Normandes: Ok, você falou sobre o Flyway. Pode contar pra gente um pouco mais sobre o Flyway e o Spring Boot, sobre essa funcionalidade?

Eddú: Ok, Flyway e Liquibase são gerenciadores de configurações de bancos de dados. Existem bibliotecas que você pode adicionar ao seu projeto. E o Spring Boot vai reconhecer essas classes e, então, procurar por scripts dentro da sua aplicação. Como eu disse, Spring Boot fornece autoconfiguração para tudo. Então, esses novos scripts serão carregados no banco de dados. Basicamente, você só adiciona a dependência e o script, e terá daí um gerenciamento das configurações do banco de dados.

Normandes: Ok, ok, legal. É uma funcionalidade bem interessante porque você pode criar seu banco de dados de maneira bem fácil dessa forma, certo? Então, fale um pouco sobre novas funcionalidades. O que você acha que falta no Spring Boot nesse momento? Quais são os planos para o futuro do Spring Boot?

Eddú: Eu não sei exatamente o que falta porque, por vezes, fico bastante surpreso com todo o trabalho que o Spring Boot e a comunidade têm feito ao redor do ecossistema Spring. Há alguns assuntos nas issues do GitHub, como, por exemplo, “métricas”. Algo que está sendo preparado para o próximo ano, para a versão 2.0, é suporte à reatividade. Então, hoje em dia… semana passada o Spring 5 foi completado, a primeira milestone foi entregue, então há suporte inicial a aplicativos reativos. E eles estão planejando mover isso para a próxima versão. Na verdade, há dependências experimentais, que é o Spring Boot MVC reativo, então você pode adicioná-lo ao Spring Boot e brincar com aplicações reativas desde já.

Um futuro que também está se materializando é o de suporte ao JUnit 5. Como sabemos, o segundo milestone de JUnit 5 foi entregue, e acredito que o time do Spring Boot está ciente disso, e eles irão suportar ambas as versões, talvez, 4 e 5. Então podemos esperar isso do futuro.

Normandes: Ok, muito bom. Programação reativa e JUnit 5 são 2 grandes novas adições ao Spring Boot, então. Ótimo.

Há algumas perguntas da nossa audiência no Brasil, e uma delas ouço bastante. E você justamente comentou sobre ela na sua apresentação, é sobre usar JAR; O Spring Boot inicia uma aplicação com um JAR. Mas e se pegar a aplicação, criado pelo Spring Boot e fazer deploy do WAR num servidor de aplicações tipo o WildFly. Qual sua opinião sobre isso?

Eddú: Não sou contra os servidores de aplicações; eles são bons, eles fornecem várias funcionalidades. Mas, hoje em dia, é muito fácil distribuir um arquivo JAR, como vimos na apresentação; você só precisa do Java na sua máquina, o arquivo JAR, e você consegue desenvolver sua aplicação. Nada mais. Mas, se eu quiser rodá-lo em cima de um servidor de aplicações, terei de instalar o servidor na minha máquina, posso ter alguns problemas, porque talvez você não entende muito bem sobre esse servidor, enfim, pode ser complicado.

Há também o fato… você pode notar, hoje em dia, que alguns servidores de aplicações disponibilizam seus servlet containers internos como uma biblioteca terceira. JBoss ou WildFly, por exemplo, rodam sobre o Undertow. Undertow é o servlet container embutido, então, nós podemos adicioná-lo ao Spring Boot também.

Como eu disse, eu não sou contra servidores de aplicações, mas, se você for usá-lo, simplesmente coloque o seu WAR ou seu EAR lá. Mas eu acho que isso não vale a pena.

Normandes: Ok, Ok. Então, não é necessário, certo? Você pode usar da forma simples que é, só com o Spring Boot, certo? Ok.

Você conhece empresas que estejam usando o Spring Boot em produção e que você possa contar para a gente?

Eddú: Empresas como Netflix estão usando o Spring Boot. Eles também construíram uma stack em cima do Spring Boot. Acredito que Spring Boot é recente, mesmo depois de passados 3 anos, mas está ganhando mais público, sendo utilizado, embora haja preocupações como “porque usar JAR ao invés de WAR”, esse tipo de coisa.

Normandes: Ok, ok. Então, muito obrigado, Eddú, pelo seu tempo, por ter ficado aqui conosco. Fico muito grato.

Instrutor da AlgaWorks. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Uberlândia e detentor das certificações LPIC-1, SCJP e SCWCD. Palestrante internacional, autor e co-autor de livros e instrutor de cursos de Java, JPA, TDD, Design Patterns, Spring, etc.

2 comentários sobre “Bate-papo sobre Spring Boot – Entrevista com Eddú Meléndez

  1. Caio -

    Atualmente venho usando SpringBoot em grandes projetos, vale a pena investir nele, você pode usar todo o stack da plataforma Spring e também outras features do JEE como BeanValidation, JPA, etc.

    Com relação a realizar deploy em um AppServer como Wildfly, caso seja necessário, é muito simples a mudança, basta gerar um .war ou invés de jar e retirar a dependência do container embedded.

    Parabéns pela entrevista.

    1. Normandes Júnior Autor do post-

      Valeu Caio! Obrigado por compartilhar sua experiência!

      Abraço.

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