O que é Spring MVC?

Postado por em   ●   5 comentários

Gostaria de facilidade e flexibilidade para trabalhar com requisições web? O Spring MVC é a ferramenta que dá isso para você!

Hoje é difícil conceber uma aplicação sem a parte web, concorda? Além das numerosas aplicações web, a maioria dos aplicativos móveis (para Android e iOS, por exemplo) precisam de uma APIs RESTful para consumir.

Por isso, conhecer um framework que ajuda nesse trabalho é vantajoso para qualquer programador.

Essa é a ideia de agora: explicar como o Spring MVC funciona. Continue lendo para aprender sobre:

  • O que é Spring MVC?
  • Criação de controladores web
  • Novas anotações de mapeamento
  • Recebendo dados de um formulário
  • Enviando dados para a página
  • Como configurar o ViewResolver
  • Como usar o Spring MVC para criar uma API RESTful

“Vambora”!?

O que é Spring MVC?

O Spring MVC é um framework que ajuda no desenvolvimento de aplicações web. Com ele nós conseguimos construir aplicações web robustas e flexíveis.

Ele já tem todas as funcionalidades que precisamos para (1) atender as requisições HTTP, (2) delegar responsabilidades de processamento de dados para outros componentes e (3) preparar a resposta que precisa ser dada. É uma excelente implementação do padrão MVC.

MVC é acrônimo de Model, View e Controller, e é bacana entender o papel de cada um deles dentro do sistema. Esse entendimento vai te ajudar a trabalhar com Spring MVC de forma a construir aplicações mais organizadas e de fácil manutenção.

Vamos começar com a imagem abaixo que representa o fluxo de uma requisição do ponto de vista do Spring MVC:

Fluxo do Spring MVC

Detalhadamente, os passos mostrados na imagem acima, são:

1. Acessamos uma URL no browser que envia a requisição HTTP para o servidor que roda a aplicação web com Spring MVC. Perceba que quem recebe a requisição é o controlador do framework, o Spring MVC.

2. O controlador do framework irá procurar qual classe é responsável por tratar essa requisição, entregando a ela os dados enviados pelo browser. Essa classe faz o papel do controller.

3. O controller passa os dados para o model, que por sua vez executa todas as regras de negócio, como cálculos, validações e acesso ao banco de dados.

4. O resultado das operações realizadas pelo model é retornado ao controller.

5. O controller retorna o nome da view, junto com os dados que ela precisa para renderizar a página.

6. O Framework encontra a view que processa os dados, transformando o resultado em um HTML.

7. Finalmente, o HTML é retornado ao browser do usuário.

Na prática, o controller é a classe Java com os métodos que tratam essas requisições. Portanto, tem acesso a toda informação relacionada a ela como parâmetros da URL, dados submetidos através de um formulário, cabeçalhos HTTP, etc.

Veja um exemplo simples:

O método index() atende a requisição para / (que é a raiz da aplicação) e devolve a página index.jsp na resposta. Fique tranquilo, ainda veremos mais detalhes.

O model seria algo como as famosas classes de serviços, repositórios e as entidades de banco de dados. Um pequeno exemplo poderia ser:

Não se assuste. Olhe o código acima com calma e no decorrer da nossa conversa isso ficará mais claro. Por ora, veja nosso model entrando em ação nas linhas 2 e 7.

Por fim temos nossa view. Essa dispensa exemplos aqui, pois, são nossas páginas JSP que irão tornar-se em HTML para chegar aos usuários.

Criação de controladores web

Agora nós vamos estudar as opções que temos para criar e configurar nossos controladores. Contudo, vamos precisar de uma aplicação já configurada com o Spring Framework. Você pode escolher dentre duas opções na hora de configurar.

A primeira opção é utilizar a configuração de um projeto web comum. Um exemplo disso será o código fonte que irei disponibilizar para você.

Você vai observar o pacote com.algaworks.mvc. Nele tem as classes de configuração que criei. Em especial, veja as classes SpringWebInitializerWebConfig, pois, elas representam o mínimo para o Spring MVC funcionar.

Não deixe de olhar também o pom.xml. De qualquer forma vou deixar aqui o mínimo de dependências para trabalhar com Spring MVC:

A segunda (e melhor opção na minha opinião) é criar uma aplicação com o Spring Boot. Você pode aprender isso em detalhes através do e-book gratuito de Spring da AlgaWorks. Clique abaixo para fazer o download dele:

FN013-CTA-Lead-Magnet--Img02

Com o projeto configurado, podemos continuar. ;)

A primeira coisa é criar uma classe comum e anotá-la com @Controller. Essa anotação fará com que o Spring reconheça a classe como um controlador.

Depois disso criamos nossas ações. Elas são métodos Java comuns que, através de anotações, serão configuradas para responder as requisições web.

Vamos começar a analisar o código acima linha a linha, mais especialmente a ação listar(), para entendermos tudo isso melhor:

Na primeira linha temos, como já falamos, a anotação que torna nossa classe um controlador. A segunda linha, com a anotação @RequestMapping, configura qual o path inicial para todas as ações do nosso controlador.

Já nas linhas 5 e 6 vemos nossa propriedade funcionarios, referente ao nosso repositório, anotada com @Autowired e, portanto, será injetada pelo Spring Framework. Nós temos aqui, no blog, um artigo sobre injeção de dependências para quem quiser saber mais sobre o assunto. Essa parte não é diretamente relacionada ao Spring MVC.

Pulando para a linha 8, vemos novamente a anotação @RequestMapping que está especificando como será a requisição que a ação listar() vai atender.

A primeira coisa a se observar é que a propriedade method da nossa anotação está especificando um método HTTP que é o GET, ou seja, para a ação atender a requisição, a mesma deve ser do tipo GET.

A propriedade method pode ser omitida. Se assim fosse, a ação passaria a responder a todos os métodos HTTP (GET, POST, PUT, DELETE, etc.).

Veja também que a anotação não tem um path configurado. Isso quer dizer que o método listar() é a ação padrão do nosso controlador e vai responder para uma requisição do tipo GET com o path /funcionarios. Para configurar um, poderíamos utilizar as propriedades value ou path da anotação:

Agora o mais importante: nossa ação que começa na linha 9:

Ela começa instanciando a classe ModelAndView. Essa classe foi utilizada para especificar a view que será renderizada para o usuário final e para informarmos quais os dados ela utilizará para isso.

Repare que no construtor temos a nossa página funcionario-lista.jsp e o método addObject é utilizado para adicionarmos uma lista de objetos que serão exibidos por ela.

Por fim, o objeto do tipo é ModelAndView retornado.

Você pode implementar essa ação de outra maneira se quiser. Veja uma alternativa:

Neste caso, recebemos a interface Model como parâmetro (ela é passada pelo Spring MVC) e utilizamos o método addAttribute para adicionar nossa lista de objetos. A página foi, simplesmente, colocada como retorno.

Recebendo dados de um formulário

Vou te mostrar agora como fazer com que os dados de um formulário cheguem até a ação do nosso controlador. Preparei um formulário, para cadastro de funcionários, e a ação que receberá essa submissão.

Como temos uma classe importante envolvida, que é a classe Funcionario, então quero mostrá-la pra você. São os dados dela que serão submetidos pelo formulário e recebidos pela ação:

Agora tenho aqui o formulário construído em duas versões. Uma com as tags do Spring:

E outra, para quem preferir, em HTML puro:

A vantagem do formulário com as tags Spring é que ele já irá exibir as informações do funcionário caso elas já venham preenchidas. Isso é útil no caso de edição de registros.

Já a ação para capturar os dados, referentes a submissão desse formulário, fica assim:

Da forma como fizemos com a ação listar(), deixa eu mostrar agora a ação salvar().

Nossa ação está recebendo dois parâmetros sendo que o primeiro – do tipo Funcionario – será preenchido com os dados que virão do formulário e o segundo – do tipo RedirectAttributes – utilizaremos para incluir o atributo com a mensagem que será exibida após o redirecionamento.

Com nossa instância do tipo Funcionario preenchida podemos manipulá-la como quisermos. No caso, simplesmente, salvamos ela:

Como já dei a entender, não será renderizada uma página após essa ação, será feito um redirecionamento. Para isso, foi utilizado um objeto do tipo RedirectView.

O primeiro argumento do construtor desse objeto é a URL, ou path de destino e o segundo é somente para quando utilizamos um path. Passando true, a classe entende que é para incluir o contexto de nossa aplicação ao path informado. O resultado seria algo como: http://localhost:8080/app/funcionarios.

Acima mostrei o formulário e a ação que recebe os dados, mas qual ação criar para imprimir o formulário para o usuário? Pode usar essa daqui:

E, se o seu formulário for em HTML puro, pode trocar por essa:

Enviando dados para a página

Como já sabemos receber dados de um formulário, vamos entender como enviar dados para as nossas páginas.

Na verdade, a gente já fez isso quando utilizamos os métodos addAttribute da interface Model, addObject da classe ModelAndView e até no método addFlashAttribute da classe RedirectAttributes. Mas agora quero fazer isso formalmente simulando a função de edição.

Aqui o formulário construído com as tags do Spring MVC é importante, pois, já vai mostrar os dados do objeto que a gente passar para ser utilizado na nossa view.

Quanto ao formulário, ele teve uma leve mudança para incluir também o campo hidden que irá armazenar o identificador do funcionário (veja linha 8):

Repare que a ação que o formulário acima vai chamar, ao ser submetido, continua sendo a mesma que apresentei pra você antes, ou seja, a ação salvar(). Isso não vai mudar.

Agora vou mostrar a ação edicao() que vai ser chamada para abrir esse formulário. Ela é praticamente igual a ação novo() que já vimos também. Olhe só:

Basta invocarmos essa ação passando o identificador do funcionário que queremos editar para que ele faça a pesquisa do mesmo e devolva para nossa view preparar o formulário que será enviado ao browser.

Um exemplo de URL para invocação seria: http://localhost:8080/app/funcionarios/edicao?id=1.

A única coisa de novo que a nova ação tem é a anotação @RequestParam. Como podemos ver, ela nos ajuda a ter acesso aos parâmetros da requisição de uma maneira mais simples.

Uma observação aqui é que, se o parâmetro que vem pela URL for diferente do parâmetro da ação, então é preciso especificá-lo:

Outra forma para anotar nosso método que deixaria a URL da página mais elegante, seria essa aqui:

Não coloquei a implementação do método acima, pois, ela não se altera. O que muda é a URL para invocar a ação com esse novo mapeamento: http://localhost:8080/app/funcionarios/1/edicao. Quanto a anotação @PathVariable, veremos ela ainda mais uma vez.

Tem mais uma questão que envolve esse tópico aqui como um todo que é o seguinte:

O Spring MVC é um framework action-based e isso é pelo fato da própria ação enviar os dados para serem utilizados na página. Como fizemos aqui, enviando o objeto Funcionario para ser editado.

A ação recebe a requisição e ela mesma já trata de disponibilizar a informação (que seriam os objetos Java) que vai dinamizar as páginas que serão exibidas para o usuário final.

Novas anotações de mapeamento

A partir de versão 4.3.X do Spring Framework já temos disponíveis as seguintes anotações:

  • @GetMapping
  • @PostMapping
  • @PutMapping
  • @DeleteMapping
  • @PatchMapping

Podemos utilizá-las como alternativa a anotação @RequestMapping. Ao invés de utilizar assim:

Usamos assim:

É melhor porque além de não termos de configurar a propriedade method, melhora também a semântica dos nossos controladores.

Veja como nosso controlador fica melhor com essas anotações:

Como configurar o ViewResolver

ViewResolver é uma interface que ajuda o Spring MVC a encontrar as páginas que são retornadas por nossas ações. Para o código-fonte de exemplo que estou utilizando aqui (e irei disponibilizar para você) eu utilizei uma configuração diferente da padrão.

A resolução padrão das páginas é feita em conjunto com a URL da requisição. No caso de, por exemplo, utilizarmos a URL http://localhost:8080/app/funcionarios/novo para invocar nossa ação novo():

Então, o Spring MVC iria procurar pela página funcionario-formulario.jsp em um diretório da nossa aplicação web chamada “funcionarios”.

A configuração que utilizei é um pouco diferente. Foi estipulado a pasta “/WEB-INF/paginas/” para ser o diretório raiz de nossas páginas.

Se quiséssemos um subdiretório com o nome “funcionarios”, teríamos que fazer o seguinte:

Assim o Spring MVC vai procurar nosso arquivo dentro da pasta “/WEB-INF/paginas/funcionarios/”.

A configuração foi feita através do Java. Veja como ficou:

Como usar o Spring MVC para criar uma API RESTful

Quero terminar falando um pouco sobre os recursos que temos no Spring MVC para criarmos APIs RESTful.

Mas não quero aqui falar sobre arquitetura e nem de boas práticas de APIs RESTful. Vou, simplesmente, mostrar o caminho de como fazer isso, beleza?

Imagine que você precise retornar todos os funcionários da sua base no formado JSON. Olhe só como ficaria:

Veja que já devolvemos a lista de funcionários diretamente. Isso é porque estamos utilizando a anotação @ResponseBody. Ela diz ao Spring MVC para jogar o retorno do método na resposta.

E antes de fazer uma requisição para nossa nova ação, que vai retornar a resposta em JSON, não podemos esquecer de adicionar a seguinte dependência em nosso pom.xml:

Aqueles que optaram por uma configuração com o Spring Boot, não precisaram adicionar a dependência acima, pois, ele já faz isso por você.

Agora sim podemos fazer uma requisição para http://localhost:8080/app/funcionarios/todos. Teríamos um JSON de retorno com os funcionários parecido com este:

Melhor ainda se criarmos um novo controlador e, ao invés de anotá-lo com @Controller, usarmos @RestController. Veja como ficaria:

A URL para invocar a ação todos(), nesse novo controlador, fica assim agora: http://localhost:8080/app/api/funcionarios.

Repare que, como estamos utilizando a anotação @RestController, nosso método não precisou da anotação @ResponseBody. Para o caso da construção de APIs, essa última opção com @RestController, fica mais elegante. :)

Vamos a um último exemplo para utilizarmos, mais uma vez, a anotação @PathVariable. Essa é uma anotação que serve para pegarmos informações do path da nossa ação

O que vai acontecer agora com nossa ação buscar() é que, quando fizermos uma requisição para http://localhost:8080/app/api/funcionarios/1 o parâmetro id, especificado na anotação @GetMapping, será passado para nossa ação.

Veja o resultado dessa última requisição:

Conclusão: Spring MVC é um framework web cheio de recursos

Espero ter passado a você um boa impressão do Spring MVC, pois, é um excelente framework web, cheio de recursos.

Vimos aqui a estrutura de um controlador e como configurar nossas ações. Depois mostrei as novas anotações de mapeamento para as ações.

Ensinei como customizar a configuração do ViewController.

Expliquei como receber dados de um formulário e como enviar objetos para serem utilizados em nossas páginas JSP.

Por último, vimos como utilizar o Spring MVC para construir uma API RESTful.

Espero que tenha gostado. ;)

Caso você esteja começando com Spring MVC e queira dar mais um passo, baixe o e-book de Spring da AlgaWorks. Basta clicar abaixo agora:

FN013-CTA-Lead-Magnet--Img02

Um abraço pra você até uma próxima!

PS: você pode baixar o código-fonte de exemplo em nosso GitHub: http://github.com/algaworks/artigo-spring-mvc.

É graduado em Sistemas de Informação, trabalha como instrutor na AlgaWorks e está no mercado de programação Java há mais de 8 anos, principalmente no desenvolvimento de sistemas corporativos.

5 comentários sobre “O que é Spring MVC?

  1. Leandro -

    Olá,

    Vocês poderiam me enviar esse livro por e-mail pois ao tentar fazer o download pelo link informado, após eu informar o e-mail e pressionar no botão para obter o livro é exibida uma mensagem de anti-spam para mim. Já tentei com outras contas de e-mail e mesmo assim não consigo.

    Desde já agradecendo,

    1. Alexandre Afonso Autor do post-

      Blz Leandro?

      Tente baixar esse novo livro aqui:

      http://cafe.algaworks.com/livro-spring-boot/

      Está sendo lançado hoje! Se não der certo me avise aqui novamente, por favor.

      Abraço!

  2. Henrique -

    Poderia explicar a vantagem do SpringMVC para uma implantação do Jax-Rs. Pq usar Spring MVC e não o que a especificação recomenda?

    1. Alexandre Afonso Autor do post-

      Henrique, bom dia!

      Spring MVC é mais flexível, tem mais recursos. Eu consigo criar por exemplo uma aplicação no padrão tradicional MVC e também uma arquitetura REST. A menos que a pessoa não queira usar recursos que não façam parte da especificação JavaEE, então não acredito que o Jax-Rs seja a melhor saída (até pelos motivos que mencionei).

      Abraço!

  3. Waldemar dos Santos -

    Preciso aprender muito para perceber base de dados

Deixe um comentário