A arquitetura de microsserviços é uma abordagem que permite construir sistemas escaláveis, flexíveis e mais fáceis de manter.
No entanto, essa arquitetura traz desafios como comunicação entre serviços, dados distribuídos, resiliência e deploy independente.
Para evitar problemas e garantir uma implementação eficiente, a comunidade de tecnologia documenta boas práticas e padrões que ajudam no desenvolvimento de microsserviços.
O que são padrões de microsserviços?
Padrões de microsserviços são soluções testadas e comprovadas, para reduzir riscos e tornar os microsserviços mais confiáveis.
Imagine que você está construindo uma casa do zero.
Você até poderia inventar um jeito novo de levantar as paredes, criar um sistema próprio de fiação elétrica e desenvolver uma forma inédita de distribuir a água.
Mas, convenhamos, isso daria muito trabalho e, pior, você provavelmente cometeria erros que nem imaginava antes de começar.
Em vez disso, o caminho mais seguro é seguir padrões já estabelecidos: vigas de concreto para estrutura, tubulações padronizadas para água, circuitos elétricos testados e aprovados ao longo dos anos.
No mundo dos microsserviços, acontece algo parecido.
Se cada equipe resolver esses problemas do seu jeito, o resultado pode ser um caos com soluções inconsistentes, retrabalho e dificuldades de manutenção.
Para evitar essa bagunça, o ideal é usar padrões da comunidade, sem precisar reinventar a roda a cada novo projeto.
A linguagem de padrões
Os padrões de microsserviços fazem parte do que chamamos de linguagem de padrões.
Eles seguem um formato quase que padronizado para descrever problemas recorrentes e suas soluções.
Geralmente, um padrão é descrito assim:
- Contexto: Em que situação o padrão se aplica.
- Problema: O desafio que ele resolve.
- Solução: A abordagem recomendada.
- Consequências: Benefícios, limitações e possíveis efeitos colaterais.
- Forças para adoção: Quando faz sentido usar esse padrão.
- Padrões relacionados: Alternativas ou soluções complementares.
Agora, um detalhe importante: nem sempre um padrão tem um nome único e universal. Dependendo do autor, um mesmo conceito pode ter nomes diferentes.
Isso acontece porque a documentação de padrões é algo descentralizado. Qualquer pessoa pode documentar e nomear um padrão.
Existem várias referências importantes sobre padrões arquiteturais. Algumas são focadas exclusivamente em microsserviços, enquanto outras vêm da arquitetura distribuída e foram adaptadas para esse contexto.
Vamos ver algumas das principais fontes.
Microservices Patterns
O livro Microservices Patterns, de Chris Richardson, é um dos catálogos mais conhecidos sobre padrões para microsserviços.
Ele reúne estratégias para resolver desafios comuns e traz um conjunto bem organizado de soluções práticas.
Além do livro, o site microservices.io disponibiliza o catálogo de padrões de forma gratuita, mas com menos detalhes.
Enterprise Integration Patterns
O livro Enterprise Integration Patterns, de Gregor Hohpe e Bobby Woolf, é um catálogo que documenta padrões para troca de mensagens assíncronas entre sistemas distribuídos, algo muito usado em microsserviços.
O site enterpriseintegrationpatterns.com traz um resumo gratuito desses padrões.
Se você trabalha (ou pretende trabalhar) com mensageria, vale dar uma olhada nesse catálogo.
Patterns of Distributed Systems
Esse catálogo, documentado no livro Patterns of Distributed Systems, escrito por Unmesh Joshi e com contribuições do Martin Fowler, foca em padrões para sistemas distribuídos, abordando desafios como consistência, coordenação entre serviços e recuperação de falhas.
O material completo está no livro, mas um resumo pode ser encontrado no site do Martin Fowler.
Microsoft Azure Architecture Center – Cloud Design Patterns
A Microsoft mantém um catálogo de padrões chamado de Cloud Design Patterns, para arquiteturas distribuídas na nuvem, incluindo microsserviços.
O catálogo aborda resiliência, escalabilidade e comunicação entre serviços.
AWS Prescriptive Guidance
A AWS também tem um catálogo de padrões voltado para arquiteturas distribuídas na nuvem.
Eles chamam isso de AWS Prescriptive Guidance (orientações prescritivas). Na prática, são guias e padrões úteis para quem trabalha com microsserviços na AWS.
Tem tanta coisa nesse site que dá pra ficar até meio perdido, mas o conteúdo é muito interessante.
The Ultimate Guide to Event-Driven Architecture Patterns
Se você quer aprender sobre arquitetura orientada a eventos (Event-Driven Architecture – EDA), esse catálogo da Solace é uma ótima referência.
Event Streaming Patterns
O catálogo de padrões da Confluent é voltado para event streaming, um modelo de processamento contínuo de eventos usado em arquiteturas de microsserviços.
Se você trabalha com Kafka ou processamento de eventos em tempo real, esse catálogo pode ser bem útil.
Conclusão
Os padrões não são regras obrigatórias. Eles não mandam em você!
Mas são guias valiosos para evitar erros e dores de cabeça ao construir sistemas distribuídos.
Seguir práticas já testadas e documentadas torna a arquitetura mais previsível e confiável, reduzindo riscos e garantindo que seus microsserviços sejam escaláveis, flexíveis e de fácil manutenção.
E se você quer dominar microsserviços de verdade, nossa formação Especialista Microsserviços vai te ensinar isso na prática.
Para receber informações quando uma nova turma for aberta, entre para a lista de espera.
Entrar na lista de espera do Especialista Microsserviços
Agora me diga: você conhece algum outro catálogo, que faltou nessa lista?
Um abraço.
Olá,
o que você achou deste conteúdo? Conte nos comentários.